Às vezes é difícil para um visitante perceber a vila de Jericoacoara como uma cidade normal, aonde as pessoas residem de forma permanente. Isso acontece porque os visitantes enxergam a vila como um local de estadia temporária aonde vão passar alguns dias de férias e depois retornam para as suas cidades.
Mas Jericoacoara não é só turismo. A vila é residência permanente para cerca de 2000 pessoas que ali vivem. Nem todos os empregos são relacionados ao turismo. Você pode por exemplo trabalhar como professor na escola local. Ou ser um jovem estudante. Ou ser um aposentado. Ou ser um pescador. Ou ser uma médica em um dos dois postos de saúde da Vila. Você pode ser um funcionário público de algum órgão da prefeitura. Ou trabalhar na empresa de água e esgoto. Enfim os exemplos são inúmeros, que desmistificam a ideia de que Jericoacoara é um lugar onde existem apenas turistas e funcionários de pousadas e restaurantes que moram em outras localidades.
Agora imagine uma das seguintes situações acontecendo na sua vida, na cidade que você mora:
- Imagine que para chegar na sua própria casa você seja obrigado a fornecer seus dados pessoais para uma empresa privada que terceirizou este cadastro, sem lhe fornecer clareza sobre como estes dados podem ser utilizados.
- Imagine você ter uma empresa e alguém instalar um portão na entrada da sua cidade e passar a cobrar pelo tempo que o seu cliente fica na cidade.
- Imagine que com a cobrança para o seu cliente ficar na cidade onde está localizada a sua empresa ele não tenha mais dinheiro para consumir o seu serviço.
- Imagine a portaria do seu prédio sendo privatizada e o síndico cobrando ingresso para os seus amigos subirem para o seu apartamento.
- Imagine que se o seu amigo não quiser pagar para lhe visitar, ele precise pedir para o síndico que é a autoridade para decidir se cobra ou não cobra.
Pode parecer surreal para você, como uma cena de um filme de ficção ou uma situação que só ocorre em países não democráticos, mas é assim que a nossa vida vai ficar. Nossos direitos serão suprimidos em nome do máximo lucro de uma concessão.